60% dos ataques internos são cometidos por funcionários com permissões excessivas: o problema do acesso sem controle

Quando uma empresa pensa em cibersegurança, geralmente imagina hackers externos, e-mails de phishing ou malware vindo de fora. Mas existe uma ameaça que vive dentro da organização, possui credenciais válidas, conhece os sistemas e muitas vezes age sem que ninguém perceba — até que já é tarde demais.

Chama-se ameaça interna (insider threat), e segundo o relatório Verizon Data Breach Investigations Report, representa mais de 30% de todas as violações de segurança registradas globalmente. Dessas, aproximadamente 60% envolvem funcionários com mais permissões de acesso do que realmente precisam para realizar seu trabalho.

O problema nem sempre é má-fé. Muitas vezes é negligência, erro humano ou simplesmente o fato de que ninguém auditou as permissões desde que essa pessoa entrou na empresa há três anos.

O que é uma ameaça interna e por que é tão difícil de detectar?

Uma ameaça interna é qualquer risco de segurança que vem de pessoas dentro da organização: funcionários atuais ou ex-funcionários, prestadores de serviço, fornecedores com acesso aos sistemas ou parceiros comerciais.

O que torna essa ameaça particularmente perigosa é que ela usa canais legítimos. Não há invasão forçada. Não há firewall para bloquear. O atacante — ou o descuidado — já tem as chaves da casa.

Existem três perfis principais:

O insider malicioso: Um funcionário que deliberadamente rouba dados, sabota sistemas ou vaza informações confidenciais. Pode ser motivado por dinheiro, vingança ou estar sendo pressionado externamente.

O insider negligente: Não tem más intenções, mas seus erros abrem a porta. Compartilha senhas, usa redes inseguras, clica em links de phishing ou salva dados sensíveis no computador pessoal.

O insider comprometido: Suas credenciais foram roubadas por um atacante externo que agora opera de dentro da organização, passando despercebido por usar uma conta legítima.

Os três são perigosos. Os três podem ser prevenidos, em grande parte, com uma gestão correta de permissões de acesso.

O princípio que a maioria das empresas ignora: mínimo privilégio

Em segurança da informação existe um princípio fundamental chamado Princípio do Menor Privilégio (Least Privilege). Ele diz algo simples: cada usuário, sistema ou aplicação deve ter acesso apenas aos recursos necessários para cumprir sua função, e nada mais.

Parece óbvio. No entanto, a realidade na maioria das empresas — especialmente médias e pequenas — é completamente diferente:

  • O funcionário administrativo tem acesso à pasta de RH com os salários de todos
  • O desenvolvedor júnior tem permissões de escrita em produção
  • O vendedor pode exportar toda a base de dados de clientes para Excel
  • O ex-funcionário que saiu há seis meses ainda tem sua conta ativa

Isso não acontece por descuido ou má vontade: acontece porque ninguém revisou. Em muitas organizações, as permissões são atribuídas uma vez e nunca mais alteradas. O negócio cresce, as pessoas mudam de função, os sistemas são adicionados, mas as permissões continuam como estavam.

Os riscos concretos do acesso sem controle

Exfiltração de dados

Um funcionário com acesso a informações comerciais sensíveis — bases de clientes, preços, estratégias — pode levar esses dados ao sair para a concorrência ou ao abrir um negócio próprio. Se as permissões são excessivas, pode fazer isso sem que nenhum sistema detecte como anomalia.

Acesso de ex-funcionários

Segundo o Ponemon Institute, 20% das empresas sofreram uma violação de segurança causada por um ex-funcionário cujas credenciais nunca foram revogadas. É um dos vetores mais comuns e um dos mais fáceis de prevenir.

Erro humano amplificado

Um funcionário com permissões limitadas que comete um erro — apaga um arquivo errado, cai em phishing, executa algo indevido — gera um dano contido. O mesmo erro cometido por alguém com permissões de administrador pode ser catastrófico.

Movimento lateral de atacantes externos

Quando um atacante externo obtém as credenciais de um funcionário (via phishing, por exemplo), as permissões excessivas permitem que ele se mova livremente pelos sistemas da empresa. Quanto mais limitadas as permissões, mais contido fica o dano.

Como é um bom modelo de controle de acesso

Implementar controle de acesso não significa bloquear tudo e impedir que as pessoas trabalhem. Significa que cada pessoa tem exatamente o que precisa, com os controles adequados. Estes são os pilares:

1. Identity and Access Management (IAM)

Um sistema IAM centraliza a gestão de identidades e permissões de todos os usuários da organização. Define quem pode acessar o quê, sob quais condições e de onde. Ferramentas como Microsoft Entra ID (antes Azure AD), Okta ou similares permitem gerenciar isso em escala.

2. Role-Based Access Control (RBAC)

Em vez de atribuir permissões individualmente a cada pessoa, definem-se papéis (vendedor, desenvolvedor, contador, administrador) com as permissões correspondentes a cada função. Quando alguém entra ou muda de função, atribui-se ou altera-se o papel, sem configurar permissões manualmente.

3. Revisões periódicas de acesso (Access Reviews)

Auditorias regulares — trimestrais ou semestrais — onde os responsáveis por cada área confirmam quais permissões cada membro da equipe realmente precisa. O que não for confirmado é revogado.

4. Privileged Access Management (PAM)

Para os acessos mais críticos — administradores de sistemas, bancos de dados, infraestrutura em nuvem — existem soluções PAM que adicionam camadas de controle: autenticação reforçada, registro de sessões, acesso temporário com aprovação e alertas automáticos diante de comportamentos incomuns.

5. Offboarding automatizado

Um processo claro e automático para revogar todos os acessos quando um funcionário deixa a empresa. Isso inclui contas de e-mail, sistemas internos, VPN, serviços em nuvem e qualquer ferramenta com credenciais próprias.

Sinais de que sua empresa tem um problema de acesso sem controle

Revise esta lista. Se mais de dois pontos se aplicam à sua organização, é hora de agir:

  • Você não sabe exatamente a quais sistemas cada funcionário tem acesso agora
  • As permissões são atribuídas manualmente, caso a caso, sem funções definidas
  • Quando alguém muda de área, ninguém revisa nem ajusta seus acessos anteriores
  • Ex-funcionários demoram mais de 24 horas para ter seus acessos revogados (ou nunca são revogados)
  • Não há registros (logs) de quem acessou quais informações e quando
  • Os administradores de TI usam suas contas com privilégios elevados para tarefas cotidianas
  • Não existe um processo formal de revisão periódica de permissões

O marco regulatório que começa a exigir isso

A gestão de acesso não é apenas uma boa prática: em muitos contextos é um requisito legal ou contratual. Normas como ISO 27001, SOC 2, GDPR e — no Brasil — a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelecem obrigações específicas sobre quem pode acessar que tipo de informação e como esse acesso deve ser controlado.

Para empresas que trabalham com clientes na Europa, nos Estados Unidos ou em setores regulados (saúde, finanças, governo), essas exigências já fazem parte do processo de habilitação comercial.

Ter um modelo de controle de acesso documentado e auditável não é apenas segurança: é uma vantagem competitiva.

As ferramentas de cibersegurança que ajudam a controlar o acesso

Existem soluções específicas para diferentes aspectos do controle de acesso. Algumas das mais relevantes para empresas médias e grandes na América Latina:

Para gestão de identidades e acesso (IAM): Microsoft Entra ID, Okta, OneLogin

Para privileged access (PAM): CyberArk, BeyondTrust, Heimdal Security

Para monitoramento e detecção de comportamento anômalo (UEBA): Varonis, Securonix, Exabeam

Para endpoint security (controlar acesso a partir de dispositivos): Bitdefender, Kaspersky Endpoint Security, McAfee

Na Aufiero Informática somos distribuidores autorizados de soluções líderes em cibersegurança para a Argentina e toda a América Latina. Trabalhamos com mais de 90 marcas globais e podemos orientá-lo sobre quais ferramentas se adaptam melhor ao tamanho, orçamento e necessidades reais da sua empresa — sem superdimensionar nem subestimar a solução.

O custo de não fazer nada

O IBM Cost of a Data Breach Report 2024 estima que o custo médio de uma violação de dados na América Latina supera 2,5 milhões de dólares, considerando perda de dados, tempo de recuperação, danos à reputação, multas regulatórias e perda de clientes.

As violações causadas por insiders — maliciosos ou negligentes — são historicamente mais custosas e mais lentas de detectar do que as provocadas por atacantes externos, precisamente porque usam canais legítimos.

Diante desse número, o custo de implementar um bom sistema de gestão de identidades e permissões é marginal.

Conclusão

O problema do acesso sem controle não é tecnológico: é organizacional. As ferramentas existem, são maduras e acessíveis. O que falta na maioria das empresas é o processo: definir funções, revisar permissões periodicamente, automatizar o offboarding e monitorar comportamentos anômalos.

A boa notícia é que não é preciso resolver tudo de uma vez. Um primeiro passo concreto — mapear quais acessos cada funcionário tem hoje — já muda o panorama de segurança de uma organização.

Se você quiser entender como melhorar o controle de acesso na sua empresa e quais soluções de cibersegurança se adaptam ao seu contexto, na Aufiero Informática podemos ajudá-lo.

Fale com nossa equipe de cibersegurança →


Sua empresa já implementou algum modelo de controle de acesso? Vocês usam PAM, IAM ou alguma outra ferramenta? Conte-nos nos comentários.

Embajadores Virtuales de su Marca en Latam

Brindamos esfuerzos de ventas, demostraciones de productos, recursos de marketing, herramientas financieras y soporte técnico para que los clientes sientan su marca como local.

Placehodler

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Suspendisse vel ultricies massa. Praesent at semper augue. Pellentesque at tortor vel ante blandit aliquam. Praesent rutrum ex nec felis lacinia, eu luctus massa ullamcorper. Pellentesque nulla massa, bibendum commodo justo at, euismod rutrum nibh. Cras in felis eget nisl faucibus porta eu ac massa. Donec quis malesuada metus. Phasellus at mauris non magna laoreet luctus. Aliquam erat volutpat. Integer ut lorem a purus aliquam aliquet. Duis maximus porta ex, vel convallis nulla efficitur sed. Ut justo nulla, consequat ac scelerisque in, tincidunt non tortor.

bicycle